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O papel higiênico pelo menos some depois de usado. A Constituição fica para sempre, justificando o roubo, a proibição e a tutela. E o Supremo Tribunal Federal é a máquina que transforma esse papel sujo em ordens concretas. Onze pessoas que ninguém elegeu, que ninguém controla de verdade, decidindo o que milhões podem fazer com o próprio corpo, com o próprio dinheiro e com a própria vida. Isso não é justiça. É poder puro, concentrado e protegido pela própria ficção que o criou.
Dar poder a qualquer pessoa já é um absurdo. Dar poder a um presidente é piada de mau gosto. Um indivíduo qualquer, eleito por uma massa que mal sabe ler, recebe a caneta para assinar decretos, gastar o que não é dele e mandar nas vidas alheias. No Brasil a maioria é analfabeta funcional. Não lê, não pensa, não questiona. Ama o Estado como quem ama a babá. Quer que alguém resolva, proteja, puna, dê comida, dê dinheiro, diga o que pode e o que não pode. Prefere a tutela à responsabilidade. Prefere a mentira confortável da “vontade popular” à verdade dura de que ninguém tem o direito de mandar em ninguém.
O voto é a maior farsa. Transforma o indivíduo em número. Junta milhões de opiniões malformadas, impulsivas e interessadas e chama isso de legitimidade. Depois entrega o resultado a um político que, no dia seguinte, já não deve nada a quem votou nele. E quando o político exagera, sobra o Supremo para “corrigir”, reinterpretar e ampliar ainda mais o alcance do Estado. O ciclo é perfeito: o povo analfabeto e apegado à babá estatal vota, o presidente manda, o Supremo consolida. Tudo em nome de um papel que ninguém lê e todos temem.
O problema não está só nos ministros ou no presidente da vez. Está na aceitação generalizada de que alguém deve mandar. Está na covardia de quem prefere entregar a própria soberania a um aparato distante em vez de assumir o peso de viver sem dono. Enquanto a maioria continuar tratando o Estado como mãe, o Supremo como juiz supremo e a Constituição como escritura sagrada, a máquina seguirá intacta. Não porque ela seja invencível. Mas porque milhões ainda a alimentam com submissão voluntária.
O indivíduo que se respeita não pede licença a onze togas. Não espera que um analfabeto funcional decida o destino dele nas urnas. Não acredita que um pedaço de papel escrito por mortos tenha qualquer autoridade sobre a sua vida. A Constituição é lixo. O Supremo é a engrenagem que processa esse lixo. E o povo que ainda aplaude tudo isso continua preferindo a babá estatal à própria liberdade. Enquanto isso durar, o poder continuará onde sempre esteve: nas mãos de quem não deveria ter nenhuma.