Viva o Ministério da Educação!

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O resultado do Pisa 2025 deveria causar indignação nacional. Não porque o Brasil caiu. Nem porque o mundo inteiro enfrenta dificuldades educacionais. O verdadeiro escândalo é outro: depois de décadas de arrecadação crescente, de promessas eleitorais, de reformas, de ministérios, secretarias, programas e bilhões retirados compulsoriamente do bolso da população, o país continua produzindo gerações inteiras incapazes de atingir o nível básico de matemática.

Setenta e dois por cento dos estudantes brasileiros de 15 anos não alcançam sequer o conhecimento matemático considerado mínimo. Não se trata de um acidente. Não é um problema repentino. Não é consequência de uma crise passageira. É o retrato de um sistema que fracassou continuamente durante décadas e que, apesar disso, continua exigindo cada vez mais recursos da sociedade.

O cidadão brasileiro trabalha meses do ano apenas para pagar impostos. Impostos sobre a renda, sobre o consumo, sobre a propriedade, sobre o combustível, sobre produtos básicos, sobre serviços e até sobre investimentos. O Estado promete devolver tudo isso em educação, saúde, segurança e infraestrutura. Mas quando chega o momento de avaliar os resultados, o que aparece é uma geração que passa anos dentro de salas de aula sem adquirir conhecimentos fundamentais.

A grande pergunta é inevitável: para onde foi todo esse dinheiro?

Enquanto o desempenho educacional permanece estagnado desde 2015, a máquina pública não parou de crescer. Novos órgãos surgiram, novos programas foram anunciados, novas verbas foram aprovadas e novas justificativas foram criadas para aumentar a arrecadação. O fracasso nunca gera cortes. Nunca gera responsabilização. Nunca gera demissões em massa dos responsáveis. Pelo contrário. Quanto pior o resultado, maior costuma ser o pedido por mais recursos.

Em qualquer atividade produtiva, resultados importam. Uma empresa que entrega um serviço cada vez pior perde clientes. Um restaurante ruim fecha as portas. Um produto defeituoso desaparece do mercado. Mas o Estado opera sob regras completamente diferentes. Ele não depende da satisfação voluntária de seus “clientes”. Ele possui o poder de cobrar independentemente da qualidade do serviço prestado. O dinheiro continua entrando mesmo quando os resultados continuam falhando.

E enquanto isso acontece, o peso tributário destrói justamente aquilo que poderia gerar alternativas. Cada novo imposto reduz a capacidade das famílias de investir na própria educação dos filhos. Cada aumento da carga tributária retira recursos que poderiam financiar cursos, livros, tecnologia, escolas independentes ou novos modelos de ensino. Cada regulamentação adicional dificulta o surgimento de projetos educacionais inovadores capazes de competir com estruturas que demonstram, ano após ano, sua incapacidade de produzir resultados superiores.

Existe ainda um efeito mais silencioso e destrutivo: a perda do valor do dinheiro. O cidadão paga impostos crescentes enquanto sua moeda compra cada vez menos. O custo de vida sobe, o poder de compra diminui e as famílias veem uma parcela crescente de sua renda ser consumida apenas para manter o básico. Com menos recursos disponíveis, sobra menos espaço para investir no próprio desenvolvimento e no futuro dos filhos.

O resultado final é um ciclo perverso. O Estado arrecada mais. Entrega menos. Dificulta a criação de alternativas. Reduz o poder de compra da população. E, diante do fracasso evidente, apresenta a mesma solução de sempre: mais arrecadação, mais burocracia e mais controle.

Os números do Pisa não representam apenas uma crise educacional. Eles representam a falência de uma promessa. A promessa de que retirar uma parcela cada vez maior da riqueza produzida pela sociedade resultaria em progresso, conhecimento e oportunidades para todos.

Décadas depois, o veredito está diante dos nossos olhos. O dinheiro foi cobrado. As promessas foram feitas. Os discursos foram repetidos. Mas o conhecimento que deveria justificar tudo isso simplesmente não apareceu.

E, apesar de tudo isso, os números continuam sendo tratados como justificativa para pedir exatamente mais daquilo que produziu o problema. Mais Estado. Mais impostos. Mais verbas. Mais escolas públicas administradas pelos mesmos burocratas. Mais hospitais públicos controlados pelos mesmos grupos políticos. Mais poder para a mesma máquina que há décadas consome recursos sem entregar resultados proporcionais.

Enquanto isso, multidões seguem brigando por políticos como torcedores defendem clubes de futebol, transformando oportunistas profissionais em heróis temporários. No fim, os governantes mudam de nome, de partido e de discurso, mas a lógica permanece a mesma: prometer soluções financiadas pelo dinheiro dos outros, aumentar o tamanho da estrutura estatal e garantir privilégios para quem está próximo do poder. E assim o ciclo continua, sustentado não apenas por quem governa, mas também por aqueles que insistem em acreditar que a solução para os fracassos do Estado é entregar ao Estado ainda mais poder.

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Felipe Viotti Antevere

Sou um observador crítico da política, da economia e das transformações sociais contemporâneas. Escrevo sobre liberdade, responsabilidade individual, imigração, cultura e comportamento humano, sempre com o objetivo de questionar narrativas estabelecidas e provocar o pensamento independente.