Voti im Min, Azu é a Curra

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A candidatura de Manoel Gomes, o Caneta Azul, não é um acidente. É a prova empírica, em tempo real, de que o brasileiro médio não tem sequer a capacidade cognitiva mínima para distinguir entre entretenimento barato e a máquina de coerção chamada Estado.

Não existe “político sério” a ser defendido aqui. Não existe “precisamos de melhores representantes”. Essa conversa já é parte da fraude. O ponto central é outro: o próprio fato de alguém como Manoel Gomes conseguir se candidatar a deputado federal e, pior, de uma massa de eleitores considerar isso uma opção válida ou até engraçada, demonstra que a democracia de massas é um sistema projetado para premiar a mediocridade cognitiva e transformar a estupidez coletiva em poder legítimo.

Manoel Gomes não tem cognição suficiente para respirar e cagar ao mesmo tempo. Isso não é metáfora. É diagnóstico. O homem cuja única demonstração pública de intelecto é um refrão de duas palavras repetidas até o cérebro do ouvinte entrar em modo standby agora pretende legislar. Manoel vai decidir sobre orçamento, força policial, impostos, contratos, propriedade. Ele não precisa provar que entende o que é um orçamento. Não precisa demonstrar que consegue ler um texto de três páginas sem perder o fio. Não precisa mostrar que distingue causa de efeito. Basta ter um meme. E o eleitor brasileiro, em número suficiente, olha para isso e pensa: “por que não?”.

Essa é a imbecilidade estrutural. Não é só do candidato. É do rebanho que o legitima. O mesmo rebanho que elegeu Tiririca com a mesma lógica de “é engraçado”, “é protesto”, “pelo menos é sincero”. Anos depois, nada mudou. A estrutura mental continua a mesma: a urna como extensão do feed de entretenimento. O brasileiro médio não vota em projetos. Não avalia capacidade. Não calcula consequências. Ele consome. Ele ri. Ele repete o refrão. E depois se sente esperto por ter “sacaneado o sistema”. Não sacaneou nada. Apenas confirmou que o sistema foi feito exatamente para pessoas como ele: cognitivamente limitadas, emocionalmente reativas e incapazes de raciocinar além do próximo estímulo.

O Estado moderno, especialmente na sua versão democrática de massas, não precisa de cidadãos racionais. Precisa de eleitores. E eleitores são, em média, o que a democracia seleciona: pessoas cuja capacidade de atenção, de processamento de informação complexa e de responsabilidade de longo prazo é baixíssima. O Caneta Azul é o produto final dessa seleção. Ele não é uma anomalia. É o resultado lógico de um sistema que transforma a opinião da maioria, por mais estúpida que seja, em legitimidade para usar a força.

A democracia não corrige a estupidez. Ela a organiza e a arma. Ela pega o mesmo indivíduo que não consegue manter o foco por mais de quinze segundos num texto denso e lhe entrega o poder de decidir, via representante, sobre a vida, a propriedade e a liberdade de todos os outros. O Caneta Azul é apenas o rosto mais ridículo dessa operação. O eleitor que vota nele “só de zoeira” está revelando que trata o poder coercitivo do Estado com a mesma seriedade com que trata um vídeo de gato. E isso não é cinismo inteligente. É limitação cognitiva profunda disfarçada de deboche.

Não existe solução dentro do jogo. Trocar Caneta Azul por um “técnico sério” ou por um “político honesto” não muda a natureza do problema. O problema é a existência do próprio aparato. Enquanto houver um monopólio da violência que se legitima pelo voto da massa, continuará elegendo o que a diverte, o que a emociona ou o que simplesmente aparece na tela. O Estado não é a solução para a imbecilidade humana. Ele é o amplificador institucional dela.

Se o critério de acesso ao poder é a capacidade de viralizar um refrão, então o poder em si é ilegítimo. Se a legitimidade vem do voto de pessoas que não conseguem distinguir entre um meme e uma estrutura de coerção, então essa legitimidade é uma ficção. A única resposta coerente não é “vamos educar o eleitor” nem “vamos escolher melhores candidatos”. É retirar o prêmio. É desmontar o aparato que transforma a estupidez coletiva em lei.

Manoel Gomes não deveria estar concorrendo a nada que envolva poder sobre a vida alheia. Não porque ele seja especialmente pior que os outros, a maioria dos políticos profissionais também opera com níveis cognitivos medíocres, mas porque o próprio ato de candidatar-se e ser levado a sério por uma parcela do eleitorado expõe a farsa. O brasileiro que ri e vota nisso não está sendo esperto. Está demonstrando, mais uma vez, que a média cognitiva da população é incompatível com qualquer sistema que pretenda justificar a coerção estatal pelo consentimento popular.

Caneta azul. Azul caneta. E o rebanho continua achando que está no controle.

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Felipe Viotti Antevere

Sou um observador crítico da política, da economia e das transformações sociais contemporâneas. Escrevo sobre liberdade, responsabilidade individual, imigração, cultura e comportamento humano, sempre com o objetivo de questionar narrativas estabelecidas e provocar o pensamento independente.